quarta-feira, 25 de julho de 2012

A Esperança que morreu primeiro


Com aquele ar triste e sereno,
Envelhecido pelo trabalho
Como de quem chora calado
A sarar as feridas do passado

Morre um homem sozinho
Abraçado à solidão
Abandonado pelos filhos
Que fez de coração

Com os pés gastos pelo tempo
Caminhou uma última vez
Apressado pelo medo
De não conseguir pedir perdão

Animado pela Saudade
Acumulada pelos anos
Vê a Esperança com Vaidade
Que o espera juntos dos anjos

Abrigado do Mundo


Sempre que a noite aperta
E o frio aconchega
Aqueles que o calor desperta
Encaixotados e feridos

E sempre que o frio desperta
Aqueles que o calor aconchega
Enrolados e perdidos

Há um dia que nasce
E um sorriso que esbate
A tristeza sentida por um sem-abrigo

E não há clímax que espalhe
Ou sentimento que falhe
À esperança de verdade
De um amor sem falsidade

Ao sem-abrigo do mundo,
Que tem um amor por tudo
Apenas lhe resta aquilo
Que, encaixotado e ferido, faz sorrir de novo