sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Numa noite de verão


Numa noite de verão,
A chuva era como que se abençoasse aquele pacto.
Ambos deitados,
Escorria sangue por entre lençóis
De tão brancos e puros,
Divinos.

Sobre seus olhos a via deitada
Como que cansada,
A sua cara transpirava
Uma paz interior.
Nem parecia que há poucos minutos
A dor se alimentava dos seus corpos.

Após tudo
Se alimentou
Do silêncio
A sua culpa

Nessa noite
Eles encontraram-se
Um ao outro
Naquele quarto

Ela encheu o peito
E ele de coragem
 a matou ali
Sem jeito

Shh


Shhh
Sussurra baixinho
Que falas mais alto
Porque tocas mais fundo.

Quando os teus olhos brilham
E faz Frio lá fora,
Ou o teu rosto sorri
E estou contigo na ronha

Não há gaivota em terra
Nem tempestade no mar,
Não há soldado em guerra
Nem saudades no lar,

Os meus olhos sorriem,
E o teu rosto, ilumina,
O melhor de mim
Na tua companhia

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A Esperança que morreu primeiro


Com aquele ar triste e sereno,
Envelhecido pelo trabalho
Como de quem chora calado
A sarar as feridas do passado

Morre um homem sozinho
Abraçado à solidão
Abandonado pelos filhos
Que fez de coração

Com os pés gastos pelo tempo
Caminhou uma última vez
Apressado pelo medo
De não conseguir pedir perdão

Animado pela Saudade
Acumulada pelos anos
Vê a Esperança com Vaidade
Que o espera juntos dos anjos

Abrigado do Mundo


Sempre que a noite aperta
E o frio aconchega
Aqueles que o calor desperta
Encaixotados e feridos

E sempre que o frio desperta
Aqueles que o calor aconchega
Enrolados e perdidos

Há um dia que nasce
E um sorriso que esbate
A tristeza sentida por um sem-abrigo

E não há clímax que espalhe
Ou sentimento que falhe
À esperança de verdade
De um amor sem falsidade

Ao sem-abrigo do mundo,
Que tem um amor por tudo
Apenas lhe resta aquilo
Que, encaixotado e ferido, faz sorrir de novo

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Se eu que não peço, tu das tudo sem pedir, tambem não te podia dar nada do tanto que te posso dar de mim. E tu, tonta que das tanto e pensas que é pouco, que do pouco, outro tanto te dou a ti. Dias não são dias e é nestes dias que percebo que nao percebia o valor que tinhas estes dias que puco por mim. Não sou dado a dar prendas nem prendado a faze-las; Não sou o melhor do Mundo nem o Mundo é melhor por mim .. mas por ti cresci num mundo que foi crescendo dentro de mim. 'um dia'  dá para um ano, e no dia que fazes mais um ano eu cresci mais um bocado no mundo, dentro de ti.. 

                                                   JP

sábado, 7 de maio de 2011

Corria forte e fesco, era reconfortante, novo puro, como se nascesse a pouco.
Era limpo, brilhante, como se tocasse um pouco, no que eu era.
Mudou, deixou de correr. Voltou o escuro, o frio, o vazio!
Sentei-me e puxei por ele, mas ele não voltou, nem sempre que queremos ele volta. 
Afinal era só vento!
Mas era um vento diferente, fazia de mim um rapaz sorridente, alegre vivo!
Era um vento que trazia esperança,
Afinal, era um sonho de mudança!

JP

Em muitos que pouco têm
Há outros que muito é pouco

Existem alguns
Que o que têm
É aquilo que é do outro!

Dar é receber ao mesmo tempo.
Encontrar nos que não têm nada
O poder de nos dar tudo!

Dar um brinquedo a uma criança
Vale muito menos do que brincar com ela!

No muito que dão
Maior é o que recebem,
Em que na sua maior parte,
É AMOR.