sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Numa noite de verão


Numa noite de verão,
A chuva era como que se abençoasse aquele pacto.
Ambos deitados,
Escorria sangue por entre lençóis
De tão brancos e puros,
Divinos.

Sobre seus olhos a via deitada
Como que cansada,
A sua cara transpirava
Uma paz interior.
Nem parecia que há poucos minutos
A dor se alimentava dos seus corpos.

Após tudo
Se alimentou
Do silêncio
A sua culpa

Nessa noite
Eles encontraram-se
Um ao outro
Naquele quarto

Ela encheu o peito
E ele de coragem
 a matou ali
Sem jeito

Shh


Shhh
Sussurra baixinho
Que falas mais alto
Porque tocas mais fundo.

Quando os teus olhos brilham
E faz Frio lá fora,
Ou o teu rosto sorri
E estou contigo na ronha

Não há gaivota em terra
Nem tempestade no mar,
Não há soldado em guerra
Nem saudades no lar,

Os meus olhos sorriem,
E o teu rosto, ilumina,
O melhor de mim
Na tua companhia